Xenofobia é doença psicológica
>> quinta-feira, 23 de abril de 2009
A Xenofobia é uma doença psicológica e se transforma em algo irracional e impensável. Na realidade, essa enfermidade não teria lógica se funcionasse com pessoas de uma mesma Nação, já a questão do sotaque faz parte da cultura do País. Segundo o professor de Ciência Política, do departamento de Ciências Sociais da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Francisco de Assis Brandão dos Reis, a Xenofobia é uma questão cultural. "A resistência dos preconceitos é uma questão de Nações, há muitas questões históricas envolvidas", explicou. As diferentes formas de falar existem de acordo com as alterações sociais que as comunidades sofrem.
Além do contexto em que o sotaque está inserido, o que também torna a situação ainda mais preconceituosa pode estar ligado às questões econômicas. "É olhar para o outro e achar que ele é inferior em algum sentido", afirmou Brandão. Para o cientista político, a maneira pejorativa de tratar o outro e o preconceito são sentimentos muito humanos e dizerem respeito não só à maneira de falar, mas também às peculiaridades de determinadas culturas.
Xenofobia é o nome dado para caracterizar o sentimento de aversão sobre alguma cultura, etnia ou opção sexual. Não existe nenhuma lei que esteja regendo em cima do preconceito direto à questão do sotaque, mas em casos onde a vítima se sinta agredida, pode procurar qualquer delegacia ou acionar pelo 190, que é uma ligação gratuita e funciona 24 horas.
Fonte: FolhaPE
Sotaque: uma questão cultural
>> quarta-feira, 22 de abril de 2009
Ele, que é chefe do setor de uma empresa distribuidora de peças para automóvel, está sempre de mudança. Cada vez que chega a um estado do País, ele chama atenção por causa da sua maneira de falar e se transforma no centro das conversas. "Nenhum sotaque é certo ou errado, essa situação às vezes se torna irritante", afirmou. Por já estar morando na cidade há algum tempo, os colegas sempre perguntam o porquê dele não perder o sotaque mineiro. "Temos que respeitar a cultura de cada um, não é porque eu moro em determinado lugar que eu preciso mudar meu jeito de falar, essa é minha raiz", afirmou.
Mas se engana quem pensa que só existe discriminação quanto à maneira de falar de pessoas que vêm de outros estados. Até mesmo quem nasceu no interior de Pernambuco e possui uma forma de falar diferente do que se está acostumado na Capital, se torna vítima das brincadeira, muitas vezes, sem graça. É o caso do estudante José Aparecido dos Santos Júnior, de 22 anos, mais conhecido como "Zé". "Vim daquele interior brabo", como ele costuma dizer de sua cidade natal: Salgueiro, no Sertão do Estado, a 513 quilômetros do Recife. Zé, como muitos jovens do Interior, veio para a Capital em busca de graduação e foi na faculdade que viu muitas pessoas rindo do jeito que ele fala. "Eu até entendo o motivo que as pessoas riem, realmente, é engraçado". Em sua opinião, o diferente torna as coisas mais engraçadas e que, por isso as pessoas gostam de imitar o outro, mas não é motivo para ser gozação preconceituosa de ninguém. "Enquanto é brincadeira eu não me importo, mas ninguém deve menospresar ninguém", afirmou.
Sotaque é o que caracteriza cada região e cada costume. Faz parte da cultura e da raiz de determinada pessoa. Segundo a especialista em Linguística da Universidade Federal de Pernambuco, Nely Carvalho, cada estado do Brasil tem a presença e predominância de um sotaque diferente. "Cada região foi conolizada em períodos diferentes e por nações diferentes". O Nordeste foi o primeiro a receber a língua portuguesa e por isso tem o sotaque mais uniforme, onde as pessoas têm uma maneira de falar mais parecida. "Há uma supervalorização dos sotaques dos estados mais desenvolvidos por uma questão de respeito", afirmou. Para ela, uma pessoa do Nordeste se admira ao encontrar alguém que tem sotaque do Sul ou Sudeste porque são nestes locais que estão concentrados os sotaques-modelo do Brasil. São lá que estão os polos da comunicação e o mercado das telenovelas que são lançados para o restante do País. "É como se língua significasse saber e é por isso que há a imitação".
Fonte:folhape
