Sotaque: uma questão cultural
>> quarta-feira, 22 de abril de 2009
Umas pessoas puxam o "erre" (R), outras falam mais arrastado. Em algumas regiões o sotaque é mais lento em outras mais rápido. Cada uma das localidades do Brasil, as pessoas possuem uma forma de expressar em qual contexto geográfico estão inseridas. É como se fossem criadas novas línguas dentro de uma já existente, com características, expressões e velocidade específicas e diferenciando a origem de cada pessoa de um mesmo País. "Uai" e "Minerim" são apenas dois dos quase dez apelidos que Vicente Henrique Braga Landim, de 26 anos, recebeu desde que se mudou para a Capital pernambucana, há quatro anos. Natural de Presidente Olegário, interior de Minas Gerais, que fica a quase 500 quilômetros de Belo Horizonte, está no Recife por causa do trabalho.
Ele, que é chefe do setor de uma empresa distribuidora de peças para automóvel, está sempre de mudança. Cada vez que chega a um estado do País, ele chama atenção por causa da sua maneira de falar e se transforma no centro das conversas. "Nenhum sotaque é certo ou errado, essa situação às vezes se torna irritante", afirmou. Por já estar morando na cidade há algum tempo, os colegas sempre perguntam o porquê dele não perder o sotaque mineiro. "Temos que respeitar a cultura de cada um, não é porque eu moro em determinado lugar que eu preciso mudar meu jeito de falar, essa é minha raiz", afirmou.
Mas se engana quem pensa que só existe discriminação quanto à maneira de falar de pessoas que vêm de outros estados. Até mesmo quem nasceu no interior de Pernambuco e possui uma forma de falar diferente do que se está acostumado na Capital, se torna vítima das brincadeira, muitas vezes, sem graça. É o caso do estudante José Aparecido dos Santos Júnior, de 22 anos, mais conhecido como "Zé". "Vim daquele interior brabo", como ele costuma dizer de sua cidade natal: Salgueiro, no Sertão do Estado, a 513 quilômetros do Recife. Zé, como muitos jovens do Interior, veio para a Capital em busca de graduação e foi na faculdade que viu muitas pessoas rindo do jeito que ele fala. "Eu até entendo o motivo que as pessoas riem, realmente, é engraçado". Em sua opinião, o diferente torna as coisas mais engraçadas e que, por isso as pessoas gostam de imitar o outro, mas não é motivo para ser gozação preconceituosa de ninguém. "Enquanto é brincadeira eu não me importo, mas ninguém deve menospresar ninguém", afirmou.
Sotaque é o que caracteriza cada região e cada costume. Faz parte da cultura e da raiz de determinada pessoa. Segundo a especialista em Linguística da Universidade Federal de Pernambuco, Nely Carvalho, cada estado do Brasil tem a presença e predominância de um sotaque diferente. "Cada região foi conolizada em períodos diferentes e por nações diferentes". O Nordeste foi o primeiro a receber a língua portuguesa e por isso tem o sotaque mais uniforme, onde as pessoas têm uma maneira de falar mais parecida. "Há uma supervalorização dos sotaques dos estados mais desenvolvidos por uma questão de respeito", afirmou. Para ela, uma pessoa do Nordeste se admira ao encontrar alguém que tem sotaque do Sul ou Sudeste porque são nestes locais que estão concentrados os sotaques-modelo do Brasil. São lá que estão os polos da comunicação e o mercado das telenovelas que são lançados para o restante do País. "É como se língua significasse saber e é por isso que há a imitação".
Fonte:folhape

Ele, que é chefe do setor de uma empresa distribuidora de peças para automóvel, está sempre de mudança. Cada vez que chega a um estado do País, ele chama atenção por causa da sua maneira de falar e se transforma no centro das conversas. "Nenhum sotaque é certo ou errado, essa situação às vezes se torna irritante", afirmou. Por já estar morando na cidade há algum tempo, os colegas sempre perguntam o porquê dele não perder o sotaque mineiro. "Temos que respeitar a cultura de cada um, não é porque eu moro em determinado lugar que eu preciso mudar meu jeito de falar, essa é minha raiz", afirmou.
Mas se engana quem pensa que só existe discriminação quanto à maneira de falar de pessoas que vêm de outros estados. Até mesmo quem nasceu no interior de Pernambuco e possui uma forma de falar diferente do que se está acostumado na Capital, se torna vítima das brincadeira, muitas vezes, sem graça. É o caso do estudante José Aparecido dos Santos Júnior, de 22 anos, mais conhecido como "Zé". "Vim daquele interior brabo", como ele costuma dizer de sua cidade natal: Salgueiro, no Sertão do Estado, a 513 quilômetros do Recife. Zé, como muitos jovens do Interior, veio para a Capital em busca de graduação e foi na faculdade que viu muitas pessoas rindo do jeito que ele fala. "Eu até entendo o motivo que as pessoas riem, realmente, é engraçado". Em sua opinião, o diferente torna as coisas mais engraçadas e que, por isso as pessoas gostam de imitar o outro, mas não é motivo para ser gozação preconceituosa de ninguém. "Enquanto é brincadeira eu não me importo, mas ninguém deve menospresar ninguém", afirmou.
Sotaque é o que caracteriza cada região e cada costume. Faz parte da cultura e da raiz de determinada pessoa. Segundo a especialista em Linguística da Universidade Federal de Pernambuco, Nely Carvalho, cada estado do Brasil tem a presença e predominância de um sotaque diferente. "Cada região foi conolizada em períodos diferentes e por nações diferentes". O Nordeste foi o primeiro a receber a língua portuguesa e por isso tem o sotaque mais uniforme, onde as pessoas têm uma maneira de falar mais parecida. "Há uma supervalorização dos sotaques dos estados mais desenvolvidos por uma questão de respeito", afirmou. Para ela, uma pessoa do Nordeste se admira ao encontrar alguém que tem sotaque do Sul ou Sudeste porque são nestes locais que estão concentrados os sotaques-modelo do Brasil. São lá que estão os polos da comunicação e o mercado das telenovelas que são lançados para o restante do País. "É como se língua significasse saber e é por isso que há a imitação".
Fonte:folhape
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